Jean-Pierre Baumann, CEO da Freelap e apaixonado por atletismo, é o empresário visionário por trás desta empresa inovadora especializada em cronometragem desportiva. Em 2002, após deixar a Polar, fundou a Freelap com o objetivo de tornar a cronometragem acessível a todos os clubes e atletas, oferecendo soluções económicas e adaptadas a diversas disciplinas desportivas. Sob a sua liderança, a Freelap impôs-se no mercado internacional graças a tecnologias inovadoras e a uma visão centrada na acessibilidade e na precisão.
Criou a sua empresa há 22 anos. Pode contar-nos como foi o início desta aventura?
Sim, em 2002, fundei a Freelap com sete acionistas. Deixei a empresa Polar, especialista e líder no setor dos medidores de frequência cardíaca, para lançar esta nova empresa. Os outros seis acionistas são amigos meus que tinham acompanhado a evolução da tecnologia dos medidores de frequência cardíaca e que decidiram investir neste projeto. Desde o início, o nosso objetivo foi criar aparelhos de cronometragem acessíveis para todas as disciplinas desportivas, tendo em conta os orçamentos dos clubes desportivos.
Quais foram as principais inovações tecnológicas que introduziu na área da cronometragem?
A nossa tecnologia baseia-se em balizas eletromagnéticas que emitem um campo magnético detetado com uma precisão adequada ao treino desportivo. Ao contrário dos sistemas tradicionais de cronometragem que utilizam células fotoelétricas e lasers, a nossa solução é muito mais acessível e adequada para clubes desportivos, embora não esteja homologada para competições de alto nível, como os Jogos Olímpicos. Responde na perfeição às necessidades de precisão num contexto de treino, oferecendo uma alternativa prática e económica aos sistemas mais dispendiosos.
Como avalia a concorrência no setor da cronometragem desportiva e de que forma é que a Freelap se distingue dos seus concorrentes?
A concorrência no setor do cronometragem desportiva é forte, nomeadamente com empresas que oferecem tecnologias muito avançadas, como a cronometragem a laser ou os sistemas que utilizam células fotoelétricas. No entanto, estas soluções são frequentemente muito dispendiosas e só estão ao alcance de clubes ou eventos desportivos de altíssimo nível. O que distingue a Freelap é a nossa capacidade de oferecer uma tecnologia precisa e fiável a um preço muito mais acessível. Concebemos os nossos sistemas para que sejam fáceis de utilizar, transportáveis e adaptados às necessidades dos clubes desportivos, das escolas e dos entusiastas do desporto. A nossa abordagem consiste em tornar o cronometragem acessível a um público mais vasto, sem sacrificar a qualidade das medições. É este posicionamento que nos permite destacar-nos e responder a um segmento de mercado que muitos dos nossos concorrentes negligenciam.
Vocês também exportam para o estrangeiro. Podem falar-nos um pouco mais sobre a vossa expansão internacional?
Sim, temos um distribuidor nos Estados Unidos que representa quase 50% do nosso volume de negócios. Nos Estados Unidos, dois terços dos atletas que participaram nos Jogos Olímpicos utilizam o nosso sistema. O nosso distribuidor norte-americano, que anteriormente era treinador, percebeu imediatamente o potencial da nossa tecnologia e equipou várias universidades com o nosso sistema.
Quais foram os principais desafios com que se deparou no início?
Um dos maiores desafios foi convencer os clubes locais a adotarem a nossa tecnologia. O apoio financeiro também foi um problema recorrente, mas tivemos a sorte de contar com amigos e investidores dispostos a aumentar as suas contribuições para nos apoiar. A certa altura, chegámos mesmo a estar à beira da falência, com uma dívida de 800 000 francos, mas, graças ao empenho da nossa equipa e ao apoio externo, conseguimos superar esses obstáculos.
Que papel desempenhou o departamento de economia no desenvolvimento da Freelap?
O serviço de economia tem sido um parceiro essencial ao longo do nosso percurso, sobretudo nos momentos críticos em que a nossa empresa se encontrava numa situação financeira frágil. O seu apoio permitiu-nos consolidar o nosso projeto numa altura em que estávamos num ponto de viragem decisivo. Compreenderam a nossa visão e acreditaram no nosso potencial, o que nos permitiu superar períodos difíceis. A sua ajuda foi inestimável, não só a nível financeiro, mas também em termos de confiança e de validação do nosso projeto. Isso deu-nos o impulso necessário para prosseguir com o nosso desenvolvimento e superar os obstáculos que encontrámos ao longo do caminho.
Por que razão optou por permanecer no cantão de Neuchâtel para desenvolver a sua empresa e que competências específicas do cantão contribuíram para o seu sucesso?
A decisão de ficar em Neuchâtel surgiu naturalmente. Em primeiro lugar, devo dizer que sempre tive dificuldade em mudar-me; estou profundamente ligado a esta região. Mas, para além disso, Neuchâtel oferece um ecossistema único, sobretudo no que diz respeito à micromecânica e à microtécnica. As competências locais foram essenciais. Por exemplo, Fernando Lopez, que é um pilar da Freelap, recebeu aqui uma formação técnica especializada, o que permitiu desenvolver produtos adequados às necessidades do mercado. A qualidade da formação técnica no cantão, aliada a uma sólida tradição relojoeira, permitiu-nos manter os pés no chão e desenvolver produtos muito inovadores.
Quais são os seus planos para o futuro da Freelap?
Estamos atualmente a trabalhar em vários novos produtos, incluindo um sistema capaz de medir o tempo de reação dos atletas na partida de uma corrida, por exemplo. Estamos também a desenvolver uma nova aplicação para desportos de equipa, o que representa um mercado enorme, sobretudo nos Estados Unidos. A ideia é tornar a cronometragem ainda mais acessível e divertida, nomeadamente para os jovens atletas e os entusiastas do desporto.
Pode falar-nos um pouco mais sobre as últimas inovações e os produtos que a Freelap se prepara para lançar?
Temos várias inovações em curso. Em primeiro lugar, estamos a desenvolver um sistema capaz de medir o tempo de reação dos atletas entre o disparo da pistola e a partida dos blocos de partida, o que constitui uma novidade no domínio do treino. Em seguida, temos uma nova aplicação móvel concebida especialmente para desportos de equipa. Esta aplicação permitirá aos treinadores acompanhar em tempo real o desempenho de cada jogador, quer em termos de velocidade, reatividade ou mudanças de direção, tudo isto com uma instalação simplificada. Por fim, iremos também lançar um produto denominado «Fixmotions», que permite medir não só os tempos de passagem, mas também a frequência e a amplitude das passadas dos atletas. Estas inovações visam tornar a cronometragem mais precisa, acessível e divertida para um vasto leque de desportos.
